quinta-feira, 18 de junho de 2009

Deus trabalha no turno da noite... Inclusive aos sábados


Como é que Deus fala com as pessoas? Depende. Deus fala de muitas maneiras, ele pode falar através de sensações, através da sua palavra, através de alguém... Depende... O certo é que Deus fala com as pessoas. Certa vez o Irmão Zezinho, inveterado atleta de final de semana, daqueles que tem até comunidade no Orkut “futebol até debaixo d água”, aliás, “Se existe algo mais perigoso do que não praticar exercícios, é praticá-los somente aos finais de semana...” Pois bem, sábado à tarde, clima propício para prática futebolística, e lá vai o irmão Zezinho. Ele é aquele típico peladeiro fora de forma, um Romário na banheira, afinal os anos já lhe são pesados, e quando indagado o porquê não corre quase nada, a resposta está na ponta da língua “quem tem que correr é a bola...” Primeira partida, ele até tenta correr, mas, o time todo está meio fora de forma, jogam em bloco “os Perebas Futebol Clube”, não deu outra, ih fora! Hehehe, ainda bem que o time é unido, “na próxima a gente ganha”... E não é que ganharam mesmo! Salve! Salve! Numa bola lançada com perfeição Zezinho manda uma patada fulminante no canto esquerdo do goleiro, gol! Lembrou-me até o Ronaldo Bofômetro (fora de forma mesmo) é rapá, o futebol é mesmo um caixinha de surpresa. Mas um fato inusitado acontece. Para participar da pelada semanal, cada atleta cooperava com uma taxa mensal para manutenção do campo, lavagem de equipamento (coletes), pagar o gandula (o cara que sempre quis jogar, mas, consegue ser pior do que o pior dos que estão em campo)... Então..., um dos associados chega atrasado. Ué ele está com a taxa em dias. Alguém teria que lhe ceder o lugar. Numa infelicidade momentânea, a pessoa responsável pela organização da pelada, fala em alto e bom som o que todos ouviram, cerca de 50 pessoas: “Alguém vai ter que sair e esse alguém é o Zezinho porque ele está inadimplente esse mês, ele ainda não pagou a taxa” Uau! Que constrangimento. O Zezinho não conseguiu pagar a merreca da taxa do futebol, ele e mais uns tantos, só que escolheram alguém para ser o bode expiatório. Na mesma hora eis que surgiram os fiéis escudeiros do amigo em situação vexatória, os guerreiros do “Pereba Futebol Clube” êpaaa! Não seja por isso: está pago... Não quem paga sou eu... Formou-se um princípio de tumulto. Os amigos bem que tentaram, mas, diante de tal situação... Parecia que seis bilhões de pessoas estavam com os olhos fixos no Zezinho, esse de tão constrangido, baixou a cabeça, sem esboçar nenhuma reação, tirou o colete e foi direto para o banco e reservas, apesar do apelo de seus amigos para que continuasse. O Zezinho ficou sem graça. A vontade era de enfiar a cabeça em um buraco e virar o irmão avestruz... Passaram se alguns minutos e ele lá, garganta seca, olhar perdido e aquela vontade de ir embora, agora como? Se quem está de carona não escolhe a hora de ir pra casa. A verdade é que se passaram mais alguns minutos, minutos esses que pareciam uma eternidade. E mais uma vez os amigos arregimentam o guerreiro, vamos lá Zezinho, você vai entrar agora com a gente, vamos lá rapá... E o Zezinho sem nenhuma vontade faz o sinal negativo, como quem diz: “hei gente me deixa ficar escondidinho aqui no meu lugar”... Só que diante da insistência de seus amigos, Zezinho não poderia deixá-los na mão, e ele entra em campo... hehehe o guerreiro voltou, e quando ele pega na bola dá uma caneta humilhante no adversário (drible que o atleta conduz a bola por entre as pernas do adversário) ual! Show de bola... No lance seguinte o atleta que havia sido o protagonista do drible desconcertante num ímpeto de insanidade, tenta através de uma voadora criminosa atingir o irmão Zezinho, suspense no ar... Ai Jesus! Inexplicavelmente Irmão Zezinho escapa da agressão e seu algoz está ali no chão a sua frente... Protestos no ar. O quê que é isso seu Juiz! Em frações de segundos, Zezinho olha no fundo dos olhos do seu opositor, e pensa; “eu poderia agora te dá um pontapé” e esses pensamentos entram em conflito com sua postura de cristão... “Não. Eu não posso fazer isso. Hoje é sábado, amanhã é domingo e eu terei que ministrar louvor na casa do meu Pai”... O irmão Zezinho caiu em si, mais uma vez saiu de campo, triste, mesmo perdendo, não saiu derrotado, afinal naquela tarde, ele havia vencido seu adversário mais difícil, seu próprio Eu, engolir a seco o orgulho ferido. No caminho de volta pra casa, no carro ele comentou com seu irmão os episódios da tarde, e a tristeza naquele momento era uma amiga companheira. Ao chegar em casa, estranhamente não comentou nada sobre a tarde de futebol com sua esposa, coisa que costumeiramente fazia todas as vezes. Quieto... Silencioso... Fez um lanche, dormiu cedo... Dormiu triste. Domingo enfim, acordou cedo, acordou feliz... Foi à igreja. Chegou cedo, como de costume, antes que os irmãos da congregação assentassem em seus lugares, ele já havia preparado o ambiente, os louvores já selecionados, enfim... Começa o culto. Ele toca seu violão desafinado. Canta com todo seu coração. Quebrantado, atrai a presença de Deus. Em pouco tempo a casa está cheia da glória de Deus. A igreja louvou como nunca, uma atmosfera de adoração tão profunda que tornou a presença de Deus mais do que real naquela manhã... Todos estavam cheios de Deus. Termina o período de louvor, Zezinho toma seu acento. Baixa sua cabeça e continua orando. Alguém se assenta ao seu lado. O irmão entrega-lhe um bilhete e diz: Irmão Zezinho! Apenas leia, Deus mandou te dizer que Ele te ama muito. O bilhete dizia... “Meu irmão, me perdoe, não se ofenda comigo, mas, no momento da oferta, o Senhor falou ao meu coração para entregar a você a oferta que trouxe para Ele. Não sei o motivo... Ele sabe... Acho que Ele quer dizer que te ama muito! Te amo em Cristo...” O choro foi inevitável. Irmão Zezinho chorou tanto até não ter mais lágrimas. Deus estava ali naquele sábado, naquela tarde de futebol onde todos viram o irmão Zezinho sendo humilhado, Ele estava lá, observando tudo de perto. O chôro pode até durar uma noite, mas, a alegria vem ao amanhecer... Às vezes pensamos que fomos esquecidos, nossos pais nos esquecem, nossos amigos, colegas, irmãos... Às vezes parece até que Deus nos esquece. Grande engano esse nosso... “mesmo que teu pai ou tua mãe te esqueçam, todavia eu jamais me esquecerei de ti”... Quando ninguém vê, quando todos os olhos estão fechados, quando passos vagam sem rumo nas ruas vazias, quando já não se ouvem mais as canções de ninar e as luzes se apagam dando lugar ao silêncio... Deus está acordado. Aos seus amados Ele dá enquanto dormem. A propósito quanto à oferta, para o irmão Zezinho foi apenas um detalhe, perto da voz de muitas águas que ele ouviu ao ler aquele bilhete de Deus, mas, só pra constar seu valor foi 50 vezes maior que o valor da taxa que ele não tinha no sábado de futebol. Deus trabalha no turno da noite, inclusive aos sábados... Essa é a história e eu também estava lá...
Uma boa semana... “Na mesa do Rei”

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